27 de novembro de 2011

Te sinto.

Hoje sua falta está pesando mais. Esse vento gelado, meu cigarro queimando e a fumaça saindo num desenho perfeito.. Cade você pra eu encostar no seu ombro e pegar no sono vendo algum filme chato na televisão? Esses dias eu sonheI com você. Não com sua imagem, mas com a sua presença. Eu vi uma luz e eu tinha certeza que você estava lá. Tinha gente que te enxergava e eu implorando em mente pra sua imagem se formar e eu poder te abraçar.
Nada.
Só a luz.

Acordei agradecendo por se mostrar presente e por iluminar todo esse lugar.
Obrigada por ME iluminar.
Eu te amo.

(Estela Seccatto)

22 de novembro de 2011

Eu rezo, sim.

Deitei sem sono.
"Ei, como está? Quando tempo que a gente não conversa. Se essa história que dizem pelos vãos do espiritismo for verdade, espero que você já tenha saído do hospital e esteja num bom lugar. Você assiste minha vida? Você vê tudo o que a gente faz por aqui? Espero que você esteja bem e sorrindo, sem dores. Espero que ele esteja sorrindo ao seu lado. Cuida da minha mãe, cuida da minha tia. Cuida de quem você puder cuidar, por favor. Cuida de mim e alivia minha dor... Não, não cuida de mim. Pode deixar que, isso, eu mesma faço. Só quero seu abraço, seu carinho e seu colo. Só quero te sentir outra vez. Me visita essa noite, me traga um pouco de paz. Por mais que pareça que eu fique triste todas as vezes que penso em você, é apenas saudade. Me faz bem lembrar do seu sorriso. Vem me dar seu ombro pra eu chorar antes de acordar, pra eu seguir os dias que estão por vir".
Dormi, não sonhei.

(Estela Seccatto)

15 de novembro de 2011

Seu rosto me assombra.

Ela caminha delicadamente deixando o mundo inteiro pra trás. Está escuro, frio e garoando. Ela não liga, ela apenas segue. Parece que lágrimas a fazem esquecer a realidade. O capuz da blusa cobre seu cabelo loiro e sujo. As mãos no bolso e a calça jeans desbotada. Ela chega à uma praça e se acomoda em um canto onde o vento e a garoa não alcançam. Tira o maço do bolso e acende um cigarro. Observa o caminho lento da fumaça saindo de sua boca. As lágrimas secam no ritmo em que o cigarro queima. Ali, bem distante, há uma sombra, uma pessoa. "Por que você estragou a minha vida? Por que você não me deixa em paz? Seu rosto e sua voz me assombram todos os dias! Por que eu não consigo ter uma vida normal depois de ter te conhecido?". A voz grita mas o som que chega é baixo. "Você é um lixo, você é insensível, você nunca me amou!". A menina dá outro trago e não se move. A impressão é de que até seu coração estava parado. Não piscava, só respirava lentamente como se não houvesse solução. "Vem até aqui, cospe na minha cara o quanto você me odeia, vem ver minha dor de perto!". Ela se levanta, e começa a caminhar até aquela sombra. Na medida do passo com o qual se aproxima, o rosto começa a criar forma e a se revelar. O cigarro cai de sua mão. Ela já sabia quem era e não conseguia acreditar. A dor era tanta que os passos começaram a pesar. Parou metros de distância e ficou a observar. Respirou fundo e deu mais um passo. "Me esquece". A imagem se desfez diante de seus olhos. Assustada ela se vira e ali está, a 10 centímetros do seu rosto aquela pessoa que tanto a assombrara. Se assusta e se afasta - sempre a mesma reação. "Eu não vou voltar" - sempre as mesmas palavras. Abre os olhos, tudo escuro. Abraça o travesseiro e implora pra dormir em paz.

(Estela Seccatto)

24 de outubro de 2011

1 ano, 6 meses e 1 dia.

É o tempo que eu venho aguentando sem você.
É tempo suficiente pra eu olhar pra frente e dizer "sou forte".
Ninguém pode me dizer o contrário.
É.. Tamanha força que se precisa pra viver nessa bagunça sem você.

(Estela Seccatto)

20 de outubro de 2011

Pra que se perder em dor?

O menino estava triste, a situação era triste. A menina sorria como se não se importasse.
-Me diz: quão insensível você é?
-Cabe em mim todos os sentimentos. - Continuava a sorrir.
-Então porque não chora? Porque sorri nessa situação?
-Feche os olhos. - Ela pediu e ele o fez. - Minhas palavras entram em você te angustiando e te travando um nó na garganta. A dor é física, o coração desespera, o ar pesa sobre seu ombros. O mundo não existe mais. Na sua cabeça só há pensamento sobre o que tanto te incomoda. Só imagens ruins, apenas essa desagradável situação rodando repetitivamente em sua mente como se não existisse nada além disso. Nada bom, o mundo caído, derrubado nos teus pés. Você guarda um grito, você retém lágrimas, há em ti uma agonia que não deixa o ar entrar. Inspirar dói, soltar o ar dói. O peito machuca, a dor não alivia. Então me responda: se respirar dói, qual é a solução? É preciso parar de respirar? Até quando vai doer?
Ele sorriu. Tudo estava bem.

(Estela Seccatto)

16 de outubro de 2011

Me conforta.

Eu enfraqueço por não te ter em mais um aniversário. Enfraqueço por saber que não te terei nos próximos também. Tudo gira em torno de você. Meus textos, minhas decisões, meus pensamentos.. Queria poder sentir mais uma vez seu abraço apertado que eu nunca tive vontade de soltar. Queria que você voltasse a me visitar em sonhos pra eu poder te sentir e ouvir sua voz. Cade você pra me dar colo quando eu brigo com meus pais, hein? Tá tão difícil..
Hoje eu empurrei meu pai contra o armário pelo pescoço e disse "sua mulher tá chorando, você não é homem! Ela tá chorando porque você expulsou seu filho de casa e, se ele sair, eu vou junto". Sempre depois que me estressava você era o meu conforto e agora eu não tive ninguém. Não tive ninguém pra concordar comigo, levantar a voz e calar à eles. Eu simplesmente tive que continuar ouvindo que sou uma 'bosta', sentar em frente ao computador e achar alguma distração em redes sociais.
Eu sei que é feio pedir presente, você me educou muito bem. Mas por favor, nesse aniversário me dê paz, me tranquilize o coração, me alivie a alma. Eu estou desesperadamente procurando uma saída.

(Estela Seccatto)

28 de setembro de 2011

Minha paz.

Nosso caráter era igual. Meu olho era igual ao seu. Meu sorriso, minhas vontades e minhas opiniões.. Tudo uma cópia de você. Lembro da marca que o sofá tinha de tanto que você sentava naquele mesmo lugar. Lembro do enfeite da mesa e do cinzeiro em que você batia a cinza dos seus inúmeros cigarros. Os sustos que você me deu gritando 'gol' são incontáveis. Eu me revirava na cama e desistia de dormir. Levantava, ia até a sala e você estava lá, naquele mesmo lugar, cochilando. Ia pegar algo pra comer e ouvia você chamar meu nome, me pedindo um copo de água gelada. Sentava no outro sofá e ficávamos assistindo qualquer coisa, contando segredos, jogando conversa fora.. Quando eu brigava com alguém era o seu colo que eu buscava. Então deitava minha cabeça nele e dormia, no misturar do desabafo com seu cafuné. Você se lembra do tratamento que eu fiz? Eu chorava de dor por horas. Você veio e começou a me benzer. O ar foi entrando e a dor foi parando. Sem exageros e literalmente: você aliviou a minha dor. Eu abri os olhos e minhas lágrimas haviam secado. Não sei se você sabe, mas naquele momento eu pedi pra sempre te ter por perto porque era em você que eu encontrava a paz. Mas então mudou o cenário, mudou a condição, só não mudou o copo de água gelada. No hospital eu cheguei a pensar que não teria saída. Você não se movia, só piscava. "Se souber quem eu sou, pisca forte" e pronto: você piscou. Você moveu a cabeça um mínimo centímetro pra tentar me olhar melhor e você passou por isso, você se ergueu, se reconstruiu. Você voltou pra casa e, depois de tantos anos, era minha vez de te cuidar. Acordei cedo nas férias, decorei o horário de cada remédio, virei noites acordada apenas pra te observar respirar. Fui um dia te visitar antes de sair. Pedi pra você se cuidar e você sorriu me respondendo: "Se cuida daí que eu me cuido daqui". Sempre cuidando de mim, sempre me vigiando de longe pra que nada me desse errado. E nada deu errado, nada me faltou enquanto você estava presente. Mas agora me falta. Agora me falta você, me falta seu colo e me falta seu cafuné. De repente, tudo acabou. Não porque tava na hora, não porque "Deus quis". Foi erro médico. Acontece, não acontece?

Eu não acredito em Deus. Se eu tenho fé em algo, é em você.

(Estela Seccatto)