18 de dezembro de 2011

Amar pouco dói pouco.

Você me fez criar todo um 'depois' ao lado seu. E, agora, o 'depois' não existe mais. E, agora, você me deixou pra trás. Há muito tempo eu devia ter notado. Se era certo ou errado eu já não sei. Te dei meu coração junto com a alma. O que eu faço se seu sorriso ainda me acalma? Quero de volta minhas madrugadas, meus planos, meu futuro. Quero de volta, também, o sentimento. Eu só lamento pelo carinho que você perdeu. Encontre na vida alguém que te ame, mas não que te ame como eu. Amor demais machuca na mesma proporção.

(Estela Seccatto)

8 de dezembro de 2011

Tequila.

Você teve o prazer te ter meu coração em suas mãos. Porque o guarda numa gaveta quando o braço se cansa? Amor não tinha a ver com ser forte ou algo assim? Mas eu sei porque o guarda, eu sei porque deixa meu coração de lado, lá no canto. Segurar dois corações não dá, né? A outra mão segura seu medo de me dizer. Porque não diz? Porque esconde de mim se, desse jeito, machuca mais? Me ver chorar e me ver cair pode ser divertido na primeira vez, mas depois de tantos anos deve ter perdido a graça. Espero estar errada em relação à metade do que me incomoda. A outra metade eu já engoli. E desceu rasgando, amor. Preferiria uma dose de tequila.

(Estela Seccatto)

6 de dezembro de 2011

Dói.

O dia inteiro essa dor chata me irritando e me impedindo de levantar como uma pessoa normal. O dia inteiro segurando o choro pra não preocupar a família por causa da dor. Tomar remédio e não sentir o efeito. Mudar de posição toda hora e não encontrar uma que alivie.
Tudo bem, eu já senti dores piores. Já senti várias vezes a dor de nitrogênio líquido seguido de ácido. Já senti a dor de pular em espinhos. Já senti a dor de um término de namoro e já senti a dor da perda.
Uma hérnia não é a pior coisa do mundo, né?

Mas, caralho, como isso dói.

1 de dezembro de 2011

Bilhetinho do papai



Hoje sou chamado de 'bebado' pela minha filha. Quando eu tinha 21 anos de idade eu não bebia porque tinha ódio do meu pai porque ele bebia. - Hoje amo meu pai mas ele não está mais aqui- Me desculpe. Você é perfeita.

Chegar do role numa quarta-feira e ler isso poderia me comover. Pena que eu já ouvi esse 'você é perfeita' inúmeras vezes saindo da sua boca ironicamente. Pena que você escreveu isso bebado. :D

27 de novembro de 2011

Te sinto.

Hoje sua falta está pesando mais. Esse vento gelado, meu cigarro queimando e a fumaça saindo num desenho perfeito.. Cade você pra eu encostar no seu ombro e pegar no sono vendo algum filme chato na televisão? Esses dias eu sonheI com você. Não com sua imagem, mas com a sua presença. Eu vi uma luz e eu tinha certeza que você estava lá. Tinha gente que te enxergava e eu implorando em mente pra sua imagem se formar e eu poder te abraçar.
Nada.
Só a luz.

Acordei agradecendo por se mostrar presente e por iluminar todo esse lugar.
Obrigada por ME iluminar.
Eu te amo.

(Estela Seccatto)

22 de novembro de 2011

Eu rezo, sim.

Deitei sem sono.
"Ei, como está? Quando tempo que a gente não conversa. Se essa história que dizem pelos vãos do espiritismo for verdade, espero que você já tenha saído do hospital e esteja num bom lugar. Você assiste minha vida? Você vê tudo o que a gente faz por aqui? Espero que você esteja bem e sorrindo, sem dores. Espero que ele esteja sorrindo ao seu lado. Cuida da minha mãe, cuida da minha tia. Cuida de quem você puder cuidar, por favor. Cuida de mim e alivia minha dor... Não, não cuida de mim. Pode deixar que, isso, eu mesma faço. Só quero seu abraço, seu carinho e seu colo. Só quero te sentir outra vez. Me visita essa noite, me traga um pouco de paz. Por mais que pareça que eu fique triste todas as vezes que penso em você, é apenas saudade. Me faz bem lembrar do seu sorriso. Vem me dar seu ombro pra eu chorar antes de acordar, pra eu seguir os dias que estão por vir".
Dormi, não sonhei.

(Estela Seccatto)

15 de novembro de 2011

Seu rosto me assombra.

Ela caminha delicadamente deixando o mundo inteiro pra trás. Está escuro, frio e garoando. Ela não liga, ela apenas segue. Parece que lágrimas a fazem esquecer a realidade. O capuz da blusa cobre seu cabelo loiro e sujo. As mãos no bolso e a calça jeans desbotada. Ela chega à uma praça e se acomoda em um canto onde o vento e a garoa não alcançam. Tira o maço do bolso e acende um cigarro. Observa o caminho lento da fumaça saindo de sua boca. As lágrimas secam no ritmo em que o cigarro queima. Ali, bem distante, há uma sombra, uma pessoa. "Por que você estragou a minha vida? Por que você não me deixa em paz? Seu rosto e sua voz me assombram todos os dias! Por que eu não consigo ter uma vida normal depois de ter te conhecido?". A voz grita mas o som que chega é baixo. "Você é um lixo, você é insensível, você nunca me amou!". A menina dá outro trago e não se move. A impressão é de que até seu coração estava parado. Não piscava, só respirava lentamente como se não houvesse solução. "Vem até aqui, cospe na minha cara o quanto você me odeia, vem ver minha dor de perto!". Ela se levanta, e começa a caminhar até aquela sombra. Na medida do passo com o qual se aproxima, o rosto começa a criar forma e a se revelar. O cigarro cai de sua mão. Ela já sabia quem era e não conseguia acreditar. A dor era tanta que os passos começaram a pesar. Parou metros de distância e ficou a observar. Respirou fundo e deu mais um passo. "Me esquece". A imagem se desfez diante de seus olhos. Assustada ela se vira e ali está, a 10 centímetros do seu rosto aquela pessoa que tanto a assombrara. Se assusta e se afasta - sempre a mesma reação. "Eu não vou voltar" - sempre as mesmas palavras. Abre os olhos, tudo escuro. Abraça o travesseiro e implora pra dormir em paz.

(Estela Seccatto)