24 de janeiro de 2011

Você: era tudo mentira.

Era tudo você. E tudo você, mais uma vez.

Era tudo sempre você e se a felicidade não se fazia em seus olhos, os meus já não fechavam de dor. E então se fez passado para mim e pra você continuou. Me esperou voltar. Machucava o coração quando pensava que o seu apertava sem me ter. Quando sabia que não ia me ter e que não ia parar de machucar. Mas notícias correm, informações e boatos. Amor, porque isso? Porque 'amor'? Então o coração que dói agora já não é mais o seu. A fama minha que se faz lá fora é culpa de quem me prometeu. E eu pedi, eu implorei. Nunca quis promessas, nunca precisei. Você também nunca precisou. Nunca precisou de mim por mais que dissesse que sim. Por mais que gritasse que sim! Você nunca precisou. Você sempre sussurrou que quem precisava era eu.

Era tudo mentira. E tudo mentira, mais uma vez.

(Estela Seccatto)

26 de dezembro de 2010

Escrever.

Minhas pernas fraquejaram outra vez e meus olhos cederam. Me entreguei à saudade e joguei pra longe meu sorriso. Fui sincera comigo mesma sem me importar pela primeira vez. Os outros não precisam entender. Nada disso tem a ver com mais alguém além de mim. A dor não amenizou e eu não reconquistei o brilho dos meus olhos. Não alcanço algo que me faça inteiramente bem. Escrevo..


(Estela Seccatto)

22 de dezembro de 2010

Perdão.

"A gente não consegue ser feliz se não tivermos um perdão pra pra dar". Depois de ouvir isso a gente pensa em tanta coisa.. Como seremos felizes se a cada erro que um outro fizer não soubermos perdoar? Como seremos felizes teimosos assim? Fechar a cara pra quem te fez mal ou não te deu valor vale de que? Serve pra ver os outros tristes? Se vingar vai amenizar sua dor e sua tristeza? Se alguém nos faz mal pensamos em pagar na mesma moeda ou entao cortar o contato, nos julgando justos. Mas com essas atitudes não passamos de crianças birrentas. Crianças que perdem amigos por causa de um brinquedo quebrado. Sabemos sim que existe, situações nas quais seríamos tolos por aceitar e deixar passar. Não relevaremos tudo. Não seremos ingênuos. Mas uma briga ou um desentenimento devem ser medidos devidamente. Temos que nos perguntar se vale a pena perder aquele amigos que tanto nos proporcionou momentos bons por causa de um erro que ele veio a causar. E é nessa hora que devemos ser sinceros com o nosso interior. Mas o perdão que guardamos no bolso, pronto para a entrega, deve vir apenas de nós? Ou devemos pedir perdão pelos nossos erros também? É tudo questão de companheirismo. Devemos perdoar sem ao menos esperar a pessoa se arrepender? São perguntas e mais perguntas e cada pessoa encontrar uma resposta diferente. Cada pessoa julga o nível do erro de acordo com suas medidas. Cada pessoa perdoa quem quer, o erro que quer e no tempo que lhe couber. Mas de que adianta um arrependimento de 3 dias e a prolongação do erro logo após, durante a vida? E então assistimos que o erro as fizeram felizes e somos obrigados a sorrir porque o coração perdoa mas não nos permite voltar. Egoístas ao ficarmos tristes com tal felicidade? Creio que não. São só dúvidas que giram em nossas cabeças. É só saudade incomodando e lembranças de um dia qualquer. É só a sensação de que não será mais igual pois um erro de alguém te explodiu a cabeça e talvez o coração. E nos vem aquele sentimento horrível de que amigos só estavam lá quando nada tinham a ver. Então, quando tiveram a chance de mostrar que estariam com você em qualquer situação, se fizeram neutros. Nós ficamos sozinhos e a alma ficou machucada. E a neutralidade se apagou quando a felicidade se fez presente do outro lado. Mas o que poderíamos esperar dos velhos amigos que igualam 3 anos à 1 semana? O que poderíamos fazer? Acompanharemos, então, essa felicidade que tanto nos faz tristes, apenas pelos anos de história. Vamos parabenizá-los pelas conquistas que se fizeram na sua ausência.

E vamos sentar, pedir um shot de alguma coisa e dar um trago no nosso último cigarro.. Esperando que algum dia eles sintam falta da nossa fumaça.



(Estela Seccatto)

16 de dezembro de 2010

Trem.

Pra que lado vai o trem, então? Qual é seu ponto final? Em qual caminho você se perdeu? Qual rumo nós seguimos? Que destino nos pertence se temos vários à escolher? O que é destino, amor? Porque te chamo de amor? Qual foi nosso fim? Isso realmente foi um fim ou daqui uns anos, talvez, estaremos todos nos abraçando no ano novo? Você ainda aceitaria um shot da minha garrafa de tequila? Amor, eu te dou um trago ainda. Você sabe que eu guardo meu rancor e deixo ele bem guardado nas palavras. Não te recusaria minhas ajudas ou seus vícios. Quem sou eu pra recusar um sorriso? Será que um dia vamos lembrar de tudo isso e rir? Ou será que lembraremos e choraremos de saudade? Poderíamos lembrar e simplesmente xingar em mente uns aos outros. Mas seremos adultos e não faríamos isso, faríamos? Quem sabe se vamos perder o contato? Ninguém sabe. Já o perdemos uma vez ou duas, não é difícil recuperar. Mas, amor, talvez você passe por mim daqui uns anos e eu não te reconheça. Talvez eu te encontre na rua e grite seu nome. Quem sabe eu aborde um desconhecido qualquer, querendo saber pra que lado vai o trem, e o desconhecido seja você..


(Estela Seccatto)

12 de dezembro de 2010

Happy B-Day, grandma.

Eu sei que é tarde, mas é que eu pensei que poderia esquecer. Pensei que poderia ficar sem escrever, sem chorar, sem lembrar. Me lembro que por uns três anos você me falava a mesma idade. Eu pensava que você não envelhecia. Até porque você estava sempre igual, só mudava a cor do cabelo.. E ai de repente o envelhecimento se fez presente na doença e no fim. E de repente você não estava mais aqui pra soprar as velinhas. Quem iria cortar o bolo dia 10 de dezembro, então? Eu acordei diante de um aniversário em que não havia ninguém pra fazer o pedido. É aí que a gente percebe como vai ser o Natal, o Ano Novo e as outras comemorações que eu já não gostava de comemorar. Desculpa se eu não te deixo em paz em pensamento. Desculpa ainda chorar ao lembrar de você.. Mas a saudade só aumenta, entende? Seu abraço me faz falta e como eu vou superar se você não vai voltar? Mas é isso, parabéns pra você nessa data querida. Parabéns pra você em todas as outras datas. Parabéns por você ter sido quem foi pra mim e por me fazer feliz a cada segundo em que estava presente. Eu nunca vou deixar de te amar, gordinha.

(Estela Seccatto)

24 de novembro de 2010

I always knew.

Porque quando a gente sabe, a gente insiste pra descobrir? Quero dizer, eu sempre soube que, de uma forma ou de outra, você não voltaria. Eu sempre soube o quanto te machuquei. Isso rodou na minha cabeça todos os dias durante dois anos. Eu evitei qualquer 'plano' pra correr atrás de você e, nos dias em que eu corria, me arrependia. E se você tivesse atendido o celular? E se você ficasse mal de novo? Mas como eu saberia que você estava bem? Não era maldade dos seus pais. Eu sabia que, se você quisesse, você conseguiria vir falar comigo pra dizer que está viva. Eu tanto sabia que briguei com a pessoa que me falou 'calma, ela vai voltar'. Mas por mais que eu soubesse, eu não deixei o último fio de esperança se quebrar e então lá estava o blog No I Can't Dance esperando por você. E mesmo postando 'você nunca vai ler isso', eu sabia que você leria um dia. E esse dia chegou, eis aí toda minha dor exposta pra você. Não sou nenhuma vítima, mas você também não é. Só não entendo porque insiste em perguntar se te amei. Custa juntar os fatos? Eu tenho um blog que fala sobre você e sobre a falta que me fez. Eu esperei dois anos. Eu te procurei, eu fiz outras pessoas te procurarem.

Eu sabia que , quando eu te encontrasse você falaria 'me desculpe, eu não consigo'. A merda é que tudo isso estragou uma das amizades mais fodas que eu tinha. Estragou o trio mais engraçado e que mais me fazia feliz. A merda é que tudo se perdeu por amor quando, supostamente, o amor deveria ser um sentimento bonito. Eu tinha certeza que eu poderia esperar 2 anos, 3 ou 15.. A frase seria sempre a mesma:
I'm not coming back.



(Estela Seccatto)

21 de novembro de 2010

Dia trágico e feliz.

O lugar é o mesmo. O sentimento é triste.
As mesmas pessoas - distantes.
Meus olhos brilham. A angústia continua.
O moço insiste pro lápis riscar. E o lápis risca.
Não risca os olhos. Há um óculos.
A cabeça implora pra parar.
O corpo implora pra confirmar
mas não precisa confirmar.. A presença é certa.
A simpatia desconhecida distrai.
O desenho é feito e o moço?
Merece! Ele está de parabéns.
A presença fica incerta. Me recuso a procurar.
Mais de 4 horas ali. Já faço parte do lugar.

O sonho continua.
A geografia e a literatura se misturam.
A cabeça ainda dói e os olhos são invisíveis.
O brilho para e o sorriso permanece.
Que alegria é essa?
O ar pesa e o sol se vai. O vento alivia.
A fumaça quebra o vento.
Deixa o vento quebrar a fumaça, menina!
O assunto da direita interessa..
..E na esquerda não há ninguém.
Cinco minutos e estou nessa linha.
A música que não faz bem não importa,
daqui a pouco ela vai acabar.

Deixo o lugar ao qual pertenci.
O lugar que me pertenceu.
Deixo os desconhecidos com um sorriso e um 'obrigada'.
As pessoas - julgam.
Julgam ou analisam?
Os olhares acompanham a caneta e dizem "mas que pena!"
Que pena de mim?
Me encontro num novo lugar não tão novo assim.
Mais uma hora pra encontrar rostos conhecidos
(se a coincidência não me cruzar antes disso).
Mas o rosto vai me confortar.

Não há mais um óculos.
Quem não via não vai ver mais.
Quem passa aqui terá no máximo três minutos.
Três minutos dos olhos meus.
Três minutos da angústia minha.
Angústia de três semanas.
Mas vai passar porque está passando.
Um corpo em movimento tende a continuar em movimento.
Mas e o sentimento, tende à que?
A poesia desconhecida do outro moço é bonita.
O grupo que se junta com um propósito é bonito.
O grupo que vem à mim pede opinião.
Minha opinião traz sorrisos e, talvez, quem sabe..
..Uma boa nota na escola.

A música acabou faz dez minutos
e no momento eu poderia dançar.
Ah, como poderia! E quem iria me impedir?
Mas eu não consigo, como a música diz,
dançar menos devagar ou triste.
O ritmo de dentro se reflete fora.
O olho - dói.
A dor - corrói.
Nem o pingo do 'i' eu coloquei direito. Mas que tragédia!
Quem disse, irmão, que tragédia era as pessoas distantes?
As novidades são vistas de longe.
A criança te olha e te marca.
Parecia que dizia: "tire os óculos, está assustando"
Mas não sabia dizer.

Porque me olham se estão cansadas e distraídas?
A moça pede informação e eu esqueço o que era rotina.
(O cachorro era o mesmo e acho que chama Simão).
Dou uma parte da informação:
"é linha azul, mas esqueci a direção".
Esqueci o sentido porque não faz sentido!
Essa geografia não me faz sentido!
Eu nasci pra somar e subtrair. Eu quero equacionar!
E a ficha acaba e eu preciso de outra..
E eu tenho outra.

E se tratando de acontecimentos raros
dessa vez eu tenho o que eu preciso.
E a música diz que ontem foi um inferno
mas que hoje eu estou bem sem você.
E porque a playlist está tão agressiva? Porque machuca?
Eu sou só uma estranha qualquer.
Porque te choca alguém que sai sozinho por aí?
Se nem eu me incomodei.. É. Nem eu me incomodei!
Mas não vou gritar pro mundo que o clima em casa não agrada.
Não vou contar que sou consequência dos pecados da minha mãe.
É segredo.
Era segredo.

A tinta preta faz o tempo passar.
O lápis riscando fez o tempo passar.
O cigarro e as pessoas que quiseram cigarro fizeram o tempo passar.
Mas porque elas não quiseram outro cigarro?
O dia vai embora mas a claridade eu não sei.
Deve ter ido também pelo horário.
Esse lugar novo já me pertence e é fechado.
Mas venta por aqui e aqui não tem fumaça.
Aqui não pode fumaça - a lei diz.
Quando é que vou ser dona desse lugar?
Quando é que vou ser dona do mundo, hein?
Eu ia cuidar bem, qual é a oferta do dia?
"Cinco reais, três, dez.. O quanto você puder dar".
Seis reais e vinte e cinco centavos, moço.

Eu quero registrar esse momento!
Eu quero o papel que o lápis riscou.
Eu quero a poesia do outro moço também.
Eu quero parar com a geografia e com a literatura
que a minha cabeça mandou parar. E eu parei!
De novo outro acontecimento raro.
Eu posso fazer o que eu quero ao menos uma vez!
Mas porque tem um sorriso no chão e porque eu pisei nele?
Falta metade do tempo pro rosto conhecido me confortar.
Eu quero ver as estrelas, mas nem se aqui fosse aberto..
..A nuvem não deixaria.

Hoje eu não coloco mais o óculos.
Nem nunca mais - pelo menos não esse óculos (não é meu).
A angústia foi pro papel.
O brilho voltou, mas agora não vou sorrir.
O que pensariam? Que sou feliz? Jamais!
Pensariam que a loucura tomou conta de mim, me invadiu.
Mas isso sim é uma outra tragédia a se discutir.
Que dia trágico!

O moço enrolou o papel pra não amassar.
O tênis tá sujo mas eu gosto assim.
Hoje, às nove horas da noite, ninguém vai olhar meu tênis.
Nem amanhã à uma hora da tarde
e nem outro dia e nem outra hora.
Hoje, às nove horas da noite as pessoas vão sorrir
porque a peça de teatro vai começar.
Mas ainda são sete horas e trinta e cinco minutos.
Mas quanta tragédia junta, meu Deus!

Porque aquela placa diz 'saída'?
Eu não quero sair, eu quero entrar na rua.
Essa luz me favorece. Eu quero uma luz assim no meu quarto.
Mas eu não posso roubá-la, a lei diz.
A lei diz muitas coisas.
Opa! Eu estou rindo agora, como assim?
Três desconhecidos sorrindo pra mim lá de dentro do metrô.
E dando tchau. Eles sabem que foi a última vez que nos vimos, né?
Deviam voltar pelo outro lado pra minha teoria se quebrar.

Minha boca implora - sede.
Meu estômago concorda - fome.
E daí que eu não como faz um bom tempo?
Minha mente sussurra:
"O rumo do texto mudou, você está feliz".
Eu estou feliz.

Eu estou feliz, moço.

(Estela Seccatto)